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Roma – 31/01/07 – Mensagem do Reitor-Mor aos jovens!

Roma – 31/01/07 – Mensagem do Reitor-Mor aos jovens!

Queridos jovens,
 

Mesmo se afastados no tempo, penso em vós e sinto-vos perto com grande vontade de viver e de ser felizes. Reforço com a minha oração os vossos melhores desejos e estou perto de vós nos momentos difíceis.

Vós sois a minha vida e por isso estas palavras minhas são as de quem vos ama com ternura no Senhor Jesus. 

Desejava ter aquele amor doce e forte da minha mãe Margarida para vos falar ao coração de filhos e comunicar-vos a grande paixão pela vida que ela me transmitiu desde pequenino. No seu coração de mãe pulsava o coração de Deus que ama a vida e aprendi a reconhecê-lo na esplendorosa e quente luminosidade das manhãs e do pôr do sol, tal como no pobre que nos batia à porta de casa. A mãe encontrava sempre a palavra adequada, os gestos essenciais para mostrar com simplicidade o amor com que abraçava a vida. Um amor que cobria e sarava também a ferida profunda aberta pela morte do meu pai. 

Dirijo-me a vós com as mesmas palavras carinhosas e fortes, queridos jovens. A vida é o dom mais precioso que recebestes: respeitai, defendei, amai e servi a vida, toda a vida e a vida de todos!

Deus, que é apaixonado pela vida, não tolera que se faça comércio com a vida do homem. Os seres humanos não são mercadorias. Houve tempos, e infelizmente não terminaram, em que os seres humanos eram vendidos e comprados. Sucedia isso nas ruas de Valdocco, tal como sucede hoje nas praças e nas estradas das vossas cidades.

Nunca mais esqueci o que vi nas prisões e nas estradas, na realidade terrível de todos os dias. A minha vida mudou: decidi assim gastá-la para libertar os jovens de todas as prisões, as materiais e as da solidão, da tristeza, da ignorância, da delinquência, do desânimo e do desespero.

Eram tempos tristes os meus, mas vós também viveis acontecimentos dramáticos, onde mais uma vez domina o desprezo pela vida, a violência terrorista, o abuso e a exploração das crianças e das mulheres. Perante tal realidade não podeis ficar indiferentes, sobretudo como jovens. Deve brotar de vós uma energia nova, um movimento que comunique a paixão de Deus pela vida do homem.

Quero mostrar-vos, queridos jovens, o caminho para responder a esta missão e para viverdes a vida em plenitude, feliz e fecunda. O segredo é a amizade a Jesus Cristo. Nele manifestou-se a misericórdia e a ternura de Deus, que ama a vida. Ele entrou ao vivo nas vicissitudes da vida humana, única e maravilhosa; passou toda a vida libertando, salvando e dando vida a todos os oprimidos pelo mal; conheceu a alegria, a amizade, mas também a dor, a perseguição e a morte. Dando a própria vida por amor e ressuscitando da morte, deu origem a uma vida plena e para sempre.

A sua ressurreição é como a erupção de um vulcão, demonstrando que, no interior do universo, arde já o fogo de Deus que já actuam as forças novas e vitais numa terra transfigurada. 

Para compreender e viver este mistério que está no coração da vida, queridos jovens, deveis levantar o olhar.

“Que é que vês, Jeremias?”, pergunta o Senhor ao profeta. “Vejo um ramo de amendoeira”(Jer 1,11-12). A amendoeira é a primeira árvore a florescer anunciando a Primavera. A sensação de vigia faz entrever ao profeta o invisível no ramo florido. Somente o olhar atento e cuidadoso consegue entrever este milagre. O milagre da vida que renasce depois do Inverno. Para compreender o vosso coração, o mistério profunda da vida, deveis conservar-vos despertos, de olhar atento e iluminado pela fé.

Levantai o olhar das distracções quotidianas, que vos conduzem ao vazio do pensamento, começai a fazer viver a parte mais profunda e mais íntima de vós mesmos, confiai-vos à oração que vos revelará a profundidade do coração de Deus e do vosso coração de homens e mulheres. Tirareis dos poços profundos da vossa alma o sentido novo das coisas, uma visão ampla da história, a fraternidade que nasce do coração de Cristo Ressuscitado, que se manifesta na Igreja  Ela é o “sacramento” da misericórdia de Deus neste mundo. É a casa de Deus acessível, quente e acolhedora, o lugar da escuta do sofrimento humano, em particular dos jovens e dos pobres.

A vossa sociedade, ao menos a ocidental, é mais rica, mas deve fazer as contas com as novas pobrezas. E a Igreja não pode situar-se noutro lugar que não seja junto da Cruz de Jesus, fonte de ressurreição. O seu lugar é junto dos pequenos, das pessoas desamparadas e feridas, daqueles que não contam ou ficaram fora da caravana triunfante do progresso. Cristo, mais uma vez, é crucificado fora da cidade, à margem da história. A Igreja “samaritana” deve estar lá: os pobres são a sua “terra santa”. Esta terra santa é o terreno fecundo do vosso empenho juvenil.

A Igreja deve tornar visível, de forma transparente, a beleza e o amor de Deus que quer viver em meio de nós, hoje. E vós, queridos jovens, deveis construir esta Igreja como Cristo a quer, como rosto da misericórdia do Deus da vida. 

É este o caminho que quis ensinar aos meus queridos jovens de Valdocco e que vos convido a construir nos vossos ambientes juvenis. Valdocco não era uma espaço anónimo como a estrada, mas era uma verdadeira casa acolhedora, um ambiente muito humano, cheio de valores e do calor da família. A minha mãe Margarida deu-nos todo o cuidado e ternura de uma mãe. Eu pus também ali todo o amor de um pai. Como um verdadeiro pai de família, dei aos meus filhos casa, vestuário, pão, trabalho, instrução, diversão. Desposei com tanta paixão esta missão que pedi ao Senhor que me fizesse encontrar e acolher muitos jovens e que me libertasse de tudo o que não fosse os seus interesses.

O oratório tornou-se o lugar de vida e de agregação juvenil, onde as expectativas e iniciativas dos jovens, a sua linguagem e o seu protagonismo encontravam acolhimento, promoção e lugar.

Caminhávamos numa verdadeira maturação de homens e de cristãos, entusiastas pela vida, segundo o espírito de liberdade do Evangelho. As personalidades vigorosas amadurecidas em Valdocco são a sua prova evidente: de Domingos Savio a Miguel Magone até aos missionários pioneiros Cagliero, Lasagna, Costamagna, Fagnano e tantas outras figuras de alto perfil.

Educava a liberdade e a criatividade dos meus jovens: queria-os esclarecidos acerca das motivações das suas opções; dava o lugar devido à razão; multiplicava as lições de catequese e as boas noites, onde explicava porquê e como se deve acreditar. Queria rapazes enérgicos nas suas decisões, sem respeito humano. Impulsionava-os a tomar iniciativas em todos os campos. Não os tinha fechados com medo do mundo. Abriam-nos corajosamente às paróquias, às necessidades da cidade, da Igreja, do mundo. Era um ambiente incrivelmente trasbordante de vida e de entusiasmo. Estávamos convencidos de poder mudar o mundo e o amor que nos unia era já disso um sinal. 

Sonho que qualquer obra minha seja como o primeiro oratório e penso em vós para poder realizar este sonho. O meu sonho é ver os jovens que encontram Cristo e encontram nele o sentido e a alegria da vida, a resposta às suas expectativas e ideais, o seu empenho na Igreja e no mundo. O meu sonho é ver-vos, jovens do Terceiro Milénio, como recurso do presente, desenvolvendo os vossos talentos e as vossas energias para o bem, investindo no serviço dos outros, de forma a rejuvenescer a sociedade e a Igreja. O meu sonho é ver-vos missionários dos vossos amigos, tornando visível nos acontecimentos de todos os dias o vulto de Cristo onde cada um se reconhece.

Este meu sonho concretiza-se no meu empenho e de toda a Família Salesiana de sermos sempre mais clara e explicitamente promotores da cultura da vida, contra tudo o que a pode ameaçar ou diminuir, portadores do amor de Deus, pais e mestres de espírito, guias inteligentes e capazes de vos acompanhar na procura de projectos de vida envolventes e cheios de beleza. 

Neste empenho contai com a ajuda materna da Auxiliadora, a Senhora dos tempos difíceis, que foi sempre para min a Mãe e Mestra e que me prometeu ter sempre sob a sua protecção especial todos aqueles que entrassem numa casa salesiana. Confiai nela com toda a certeza e também vereis florescer os milagres na vossa vida. 

Queridos jovens, senti-me sempre junto de vós; o meu desejo é só um, ver-vos felizes agora e para sempre, seguindo o caminho das bem-aventuranças evangélicas para podermos participar todos juntos na grande festa da vida no céu. 

Turim, 31 de Janeiro de 2007 

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