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Bagé – Colégio N. S. Auxiliadora – 27/11/14 – Limites na educação

Bagé – Colégio N. S. Auxiliadora – 27/11/14 – Limites na educação

Hoje em dia raras são as pessoas que querem se dar a este trabalho, mas a maioria reclama que educar está quase impossível. Entender como as coisas chegaram a este ponto requer uma breve análise da evolução histórica da criação de filhos ao longo dos tempos.
A preocupação com a infância como um momento importante e formador do caráter e da personalidade é relativamente recente se compararmos ao tempo em que o homem habita o planeta terra e participa do crescimento de seus descendentes.
Antigamente as crianças eram consideradas pequenos adultos que tudo acompanhavam e participavam sem nenhum tratamento especial. A revolução industrial e outros fatos históricos como as guerras mundiais ajudaram a promover alterações no modelo de família. As famílias iniciaram um processo de transformação quando as mulheres entraram no mercado de trabalho, que não parou mais através da constante mudança de costumes. Essas variações promoveram momentos diferentes na educação das crianças. Da época em que a mãe cuidava da criação dos filhos e o pai de seu sustento ao momento atual, onde não há tempo para nada e delega-se a estranhos ou à escola o trabalho de formá-los. Uma coisa nunca mudou: a necessidade de acompanhar o desenvolvimento das crianças. Este acompanhamento deve nortear até onde podem ir, o que pode e o que não pode ser feito, que nada mais é do que educar com limites.
Assim chegamos aos dias atuais onde pais despreparados para a tarefa de educar confundem bondade com permissividade. Compensando sua ausência prolongada com atitudes complacentes e presentes sem significado. Estes adultos imaturos se veem com a responsabilidade de dar conta de crianças cada vez mais informadas, mas crianças. Ou seja, infantis, imaturas e desafiadoras das regras. O que é perfeitamente normal. O que não poderia ser considerado normal é um adulto sentir medo de educar seu filho com firmeza.
Por que limites? Porque há limite em tudo. Em nossa paciência, nossa conta bancária, nosso tempo, nossa existência. Pesquisas recentes apontam que até mesmo o universo, que acreditávamos ser infinito, tem limite. Dessa forma, deixar uma criança crescer sem esta contenção é desprepará-la para o mundo. Pois a limitação é uma contingência da vida.
Se quisermos filhos saudáveis e adaptáveis, temos de lidar com a possibilidade deles se frustrarem. A frustração, o “não”, bem colocado favorece que a criança não tenha uma ideia errada sobre si mesma. Meninos e meninas que não estão acostumados a receber limite perturbam a si mesmos e aos outros a sua volta todos os dias.
Pais comprometidos com uma falsa ideia de “bom pai” só promovem pequenos tiranos que terão problemas de adaptação e autoestima, além de viver a ilusão de ser mais importante e poderoso do que realmente são.
Um dia quando o mundo real lhes oferecer uma limitação séria ou banal estarão despreparados para enfrentá-la. Neste momento, chorar ou jogar-se no chão de nada adiantará. Ajudar os filhos a enfrentar adversidades com serenidade não só prepara para a vida real como contribui para que aceitem que tudo tem dois lados. Não existe perfeição, não se tem tudo, nem sempre se ganha. Aceitar e integrar dentro de nós estas verdades facilita o surgimento da sensação de felicidade nas coisas simples da vida. Do contrário, estaremos sempre descontentes e querendo mais, como crianças mimadas.
Por: Dilce Helena Santos

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